ELE ESTÁ MAIS VELHO, MAIS CHATO, MAIS FEIO, MAIS MAU E MAIS SEM-VERGONHA QUE NUNCA.

Coluna do Comendador Baltazar II

Esta é a continuação do blog que fez, faz e sempre fará parte da relação daquelas pessoas que gostam ou odeiam das coisas que são escritas nele. Particularmente falando, penso que a maioria das pessoas odeiam. É por isso que ele volta no mesmo formato odioso.
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Segunda-feira, Junho 04, 2007



Dia desses resolvemos sair em bando, feito jovens que saem em grupo para bagunçar, gritar, criar encrencas e tal. Logicamente que não faríamos bagunça, pois não conseguimos bagunçar, nem gritar, pois nossas cordas vocais já não são mais as mesmas de antigamente, quando podíamos, além de gritar, urrar, uivar, chiar, xingar e falar em voz alta, se assim quiséssemos. Agora, quanto ao fato de criar encrencas... Nem pensar. Não teríamos a menor condição de nos expor a situações de risco. Mesmo por que qualquer coisa que fuja de nossos alcances, tanto físico quanto mental, já pode ser considerada uma encrenca.

Então estávamos nós; eu mancando com meu pé de plástico e praguejando contra todos que viessem a cruzar minha frente, o Pereirinha com seus saltos mortais, saltos estes que nem posso olhar muito para não me causar vertigens, o Azambuja com suas esquisitices pra lá de manjadas, o Adalberto com sua surdez em desenvolvimento, pelo fato de viver com o ouvido grudado naquele rádio do ondas longas, ondas, médias, ondas curtas e almost waves, o sujeito que nem sei o nome e também nem faço questão de descobrir, pois isto para mim tanto faz, fazendo o que sempre faz quando está em nossa companhia, ou seja, alisando os poucos fios de cabelo com um minúsculo pente de cabelo de boneca. E para completar o time dos destrambelhados, o Beleléu com manias de apostas inúteis e estúpidas, além das jogatinas indesejadas.

E enquanto caminhávamos trôpegos pelas calçadas tortuosas e pelos asfaltos esburacados ouvíamos muitas e muitas músicas. Bom, pelo menos até o momento que o Adalberto enfiou o pé direito num buraco e o esquerdo derrapou para o lado. O resultado disto nem poderia ser diferente, perdemos nossa fonte musical, claro. Então o rádio mais o Great Lake Swimmers que estava tocando e o Adalberto se foram numa viagem vertiginosa até o chão, e foi um para cada lado. Sendo que nosso companheiro ainda teve sorte, se espatifou na calçada, já o rádio foi soltar seus cacos lá no asfalto, o conjunto que mencionei naquela hora também parou de tocar, e as pilhas... Ah, estas estampavam a liberdade em suas faces metálicas; apostaram uma corrida frenética até o primeiro bueiro que encontraram. Depois deste pequeno acidente nossa distração também se foi. Tudo bem, não estava mesmo com vontade de ouvir músicas.

Poderíamos, digo, o Pereirinha poderia ajudar o Adalberto a evitar o tombo, mas no fatídico momento ele estava interessado nas bundas que passavam por nós. Para dizer a verdade eu fui o único que conseguiu ver o desastre, pois todos os outros estavam acompanhando as bundas com seus olhos embotados, perdidos e empapuçados. E como todos estavam ocupados não quis atrapalhá-los. Se ajudei o homem a levantar do chão? Ora, qual nada! Minha hérnia de disco e meu nervo ciático não permitiram tal façanha. E por que os outros não o ajudaram a levantar? Pelo fato de que ainda estavam ocupados. Sendo assim, desta maneira, Adalberto se levantou sozinho e com muito custo.

Após o heróico e compenetrado esforço nosso amigo estava sobre seus pés... Finalmente. Chateou-se, pois seu adorável rádio havia se estatelado, junto com ele, pelo chão. Não tinha muito o que fazer naquele instante. Então ficamos em silêncio por algum tempo e decidimos que seria melhor voltarmos cada um para suas casas. Estava frio, o vento soprava forte e já estava para anoitecer, e como nesses últimos dias não estou enxergando muito bem por causa de uma conjuntivite preferi ir embora. Quanto ao Adalberto; deixamo-lo em casa, todo ralado, esfolado, rasgado, injuriado e acabrunhado, e ainda, sem o rádio. Bom, na verdade ele até foi junto, porém, nas condições que ficou não sei o que pode ser feito para melhorar... O ânimo do nosso amigo. Preciso dar um jeito de consertar este rádio o quanto antes. Sabe, gosto quando este aparelho passa uns dias comigo lá em casa. Fica tudo mais animado, ou menos chato, sei lá... Ah, tanto faz também.


Aqui a vitalidade de nosso grupo era motivo de inveja. Sempre unido para fazer qualquer tipo de coisa. Atualmente ele ainda continua unido, mas para: dores reumáticas, bursites e qualquer outra espécie de "ite", hérnias em geral, pressão arterial e problemas estomacais, e para qualquer outro probleminha que venha acontecer de fato ou psicológico.

Oiram Bourges 14:00 [+]

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